Comissões ou salário por fora são uma realidade comum, porém perigosa, para muitos profissionais brasileiros. Inicialmente, essa prática pode parecer vantajosa para o seu bolso, pois evita descontos imediatos de impostos no contracheque. No entanto, essa sensação de ganho é apenas uma ilusão que esconde grandes prejuízos financeiros a longo prazo. Por isso, é fundamental entender que a lei trabalhista protege seus rendimentos reais e não apenas o que está anotado na carteira.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente por que aceitar essa condição é um erro. Além disso, mostraremos como você pode recuperar os valores perdidos na Justiça do Trabalho de forma segura.

Como funcionam as comissões ou salário por fora?

O pagamento “por fora” ocorre quando a empresa paga uma parte da sua remuneração sem registrá-la oficialmente no holerite. Geralmente, isso acontece com comissões de vendas, premiações ou uma parcela do salário fixo. Dessa forma, o empregador reduz os custos com impostos e encargos trabalhistas.

Contudo, essa manobra é ilegal. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina claramente que todas as gratificações e comissões integram o salário para todos os efeitos legais. Ou seja, esconder esses valores é uma fraude direta contra os seus direitos trabalhistas.

Riscos de receber comissões ou salário por fora

O impacto financeiro dessa prática é muito maior do que a maioria dos trabalhadores imagina. De fato, quando o patrão não declara o valor real, ele deixa de depositar as verbas que seriam calculadas sobre esse montante. Consequentemente, você perde dinheiro em diversas frentes.

A seguir, detalhamos onde exatamente você está sendo prejudicado ao aceitar comissões ou salário por fora.

1. FGTS menor do que o devido

Primeiramente, o Fundo de Garantia é calculado diretamente sobre o seu salário bruto registrado. Portanto, se a empresa paga R$ 1.500,00 na carteira e mais R$ 1.000,00 “por fora”, ela deposita o FGTS apenas sobre a parte menor.

Como resultado, sua reserva financeira cresce muito menos do que deveria. Além disso, em caso de demissão sem justa causa, a multa de 40% será calculada sobre um saldo inferior. Para entender melhor a importância desse fundo, leia nosso artigo sobre o que é FGTS.

2. Férias e 13º Salário reduzidos

Em segundo lugar, o cálculo das suas férias (com o terço constitucional) e do seu 13º salário deve considerar a média de toda a sua remuneração. Entretanto, se você recebe comissões ou salário por fora, esses valores não entram na conta automaticamente no sistema da empresa.

Dessa maneira, você recebe um valor muito abaixo do justo no final do ano ou durante o seu descanso. Logo, a integração dessas comissões ao salário é essencial para garantir o pagamento correto dessas verbas.

3. Impacto na Aposentadoria e INSS

Finalmente, este é um ponto crítico para o seu futuro. O valor da sua aposentadoria depende das contribuições feitas sobre o seu salário oficial. Por outro lado, se você precisar de um auxílio-doença acidentalmente, o valor do benefício do INSS será calculado apenas sobre o que está na carteira.

Assim, ao aceitar pagamentos não oficiais, você coloca em risco sua própria segurança financeira em momentos de vulnerabilidade.

Como provar comissões ou salário por fora na Justiça?

Para exigir seus direitos, você precisa comprovar que recebia esse dinheiro extra habitualmente. Felizmente, a Justiça do Trabalho aceita diversos meios de prova para validar o pagamento de comissões ou salário por fora.

Portanto, você pode e deve reunir:

  • Extratos bancários que demonstrem os depósitos regulares;
  • Recibos informais, vales ou anotações em cadernos de controle;
  • Conversas de WhatsApp, áudios ou e-mails cobrando metas ou confirmando pagamentos;
  • Testemunhas que tinham conhecimento da prática.

Nesse sentido, reunir evidências robustas é o passo mais importante. Recomendamos fortemente a leitura do nosso guia sobre provas na Justiça do Trabalho para se preparar adequadamente.

Além disso, para ter uma ideia do tamanho do prejuízo acumulado, você pode fazer uma simulação utilizando nossa calculadora de rescisão trabalhista. Lembre-se de considerar o seu salário real (soma do oficial + “por fora”) no cálculo.

O que diz a lei sobre essa prática?

A legislação brasileira não deixa dúvidas. O artigo 457 da CLT define que integram o salário não apenas a importância fixa, mas também as comissões e gratificações pagas pelo empregador. Sendo assim, qualquer pagamento habitual deve ser refletido na carteira. Você pode consultar o texto da lei na íntegra aqui para verificar seus direitos.

Então, se a empresa não cumpre a lei voluntariamente, você pode buscar a “integração” desses valores via judicial. Isso significa pedir que o juiz reconheça o vínculo desses valores e obrigue a empresa a pagar todas as diferenças retroativas de FGTS, férias, 13º e reflexos, com juros e correção monetária.

Conclusão: Não abra mão do seu dinheiro

Em resumo, aceitar passivamente essa situação significa deixar na mesa um dinheiro que é seu por direito. O recebimento de comissões ou salário por fora gera um passivo trabalhista que a empresa tem o dever de pagar.

Por isso, se você desconfia que está sendo lesado ou se foi demitido e quer verificar se os valores da rescisão estão corretos, não hesite. Imediatamente, busque ajuda profissional para analisar os extratos e calcular a indenização exata.

Quer garantir que você não sairá no prejuízo? Entre em contato conosco agora mesmo para uma análise detalhada do seu caso e recupere o que é seu.

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